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Considerada a terceira via para o VSF, produção de limão-taiti mira na entressafra paulista

Vista como uma terceira via para a produção de frutas na região, a produção de citros segue em expansão. Com destaque para a lima ácida taiti, ou o limão-taiti como conhecemos, o “Panorama da citricultura no Vale do São Francisco” foi o tema abordado no programa da “Da Central para o Campo”, podcast da Central de Adubos com atualização semanal aos sábados. Para conferir, é só acessar o canal da maior do Nordeste no YouTube no endereço: https://www.youtube.com/@CentraldeAdubosOficial.

As iniciativas de maior sucesso tiveram início em 2019, entretanto essa não foi a primeira experiência no ramo. De acordo com o engenheiro agrônomo, consultor agrônomo e produtor, Elisaldo Júnior, houve tentativas anteriores que não deram certo por falta de conhecimento aprofundado.

“Desde a década de 80, teve-se implantação de pomares de lima ácida taiti e, devido ao pouco conhecimento na época, escolhas erradas de porta-enxertos, manejo errado, acabou o negócio não indo para frente e ficou um pouco de lado, quando entrou a manga e a uva substituindo isso. Mas sempre existiu alguns pomares de citros aqui, principalmente, a lima ácida taiti. Então, hoje, quando se fala em citros no Vale, eu posso dizer que já tem uma certa área plantada de lima ácida taiti, embora seja ainda uma área muito pequena comparada ao que pode vir pela frente”, relacionou.

Segundo o especialista, os entraves observados na produção de manga e uva incentivaram o estudo de viabilidade. “A gente sabe das dificuldades que vem tendo a manga em determinados momentos, como o que estamos passando agora, e a própria uva também, devido à fragilidade dela em alguns momentos. Então, sentimos a necessidade de uma terceira via para o Vale e, depois de muito pensar, apostamos nos citros em 2019, antes mesmo de haver esse boom que está havendo agora em 2022, devido aos problemas ocorridos em áreas como São Paulo”.

E esses problemas vivenciados na região Sudeste estão ligados a doenças de difícil controle. “São Paulo tem um problema, é o maior produtor de limão do Brasil, mais de 70% das áreas de produção do país estão lá. Eles estão tendo problemas devido ao cancro cítrico, que é uma bactéria, o próprio greening, que já vem atacando há muito tempo e decaindo produção, e o cancro limita a exportação porque não pode ser enviado o limão com cancro para países que são isentos”.

A partir disso, surgiu a oportunidade de retomar a produção do citro na região. “Com isso, houve um boom muito grande no Nordeste, principalmente o Vale do São Francisco. Na Bahia, na região de Itaberaba, já se planta há muito tempo; em Sergipe, também. Agora, lá é uma condição climática totalmente diferente da nossa. Nós temos uma condição totalmente propícia ao não aparecimento de determinada doença. Porque temos sol e baixa umidade na maior parte do ano”, pontuou.

Outro fator determinante para o sucesso no cultivo de limão para a exportação é o sistema de irrigação, característica fundamental do Vale do São Francisco.  “Muito do limão que se produz no Brasil é em área de sequeiro, onde é dependente de chuvas. Aqui, nós desenvolvemos um sistema de irrigação para dominar a cultura da manga, da uva, programando a safra para determinados períodos e, com isso, para o limão, estamos pensando na mesma linha. Conduzi-lo para épocas que sejam um pouco mais propícias e, até mesmo, produzindo o ano todo, escalonadamente, onde a gente vai alcançar um preço médio de mercado bom”.

E o plano é entrar no mercado durante a entressafra paulista. “O limão, na verdade, se você deixar, produz o ano todo, porque ele está sempre florando. Quando nós começamos a pensar num projeto de limão, pensamos em entrar na entressafra de São Paulo. A safra lá começa em janeiro e vai parando em junho, que é o período de condições climáticas propícia para ele. E como nós aqui manejamos com a irrigação, teríamos como colocar nas janelas de agosto, setembro, outubro e até novembro, que é a janela onde sempre o preço médio do limão era acima do que normalmente dava no primeiro semestre, devido ao grande volume de São Paulo”.

A viabilidade da região é tão real que os produtores do Sudeste já expandiram para cá. “Frente a esse problema de São Paulo, muitos exportadores começaram a vir para a região. E até exportadores da região [de manga e uva] começaram a exportar o limão.  Então, hoje, já tem uma janela maior para a gente conseguir produzir o limão o ano todo e vender para a exportação durante o ano todo”.

Com alta de preço de até 40% em outubro, no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), o limão vivencia a melhor cotação do ano, justamente pela entressafra paulista. Mesmo assim, Elisaldo Júnior deixa o alerta para os possíveis novos produtores. “Quem for plantar não pode pensar que será sempre esse preço. É preciso estar bem consciente e administrar seus custos”, reforçou.

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