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Planejamento e estratégia são indispensáveis para vencer concorrência da cebola nordestina

Os produtores de cebola do Nordeste precisam, mais do que nunca, planejar e pesquisar sobre a hora certa de plantar e colher. A orientação foi repassada na edição desse sábado (11) do podcast “Da Central para o Campo”, que tratou do tema “Abertura de janela do plantio da cebola no Nordeste”. Na oportunidade, o representante técnico de vendas da Nunhems, Wênio Barbosa, e o trial specialist da marca, Gleidson Silva, debateram sobre as especificidades do mercado da cebolicultura na nossa região.

Inicialmente, Wênio fez uma análise das safras colhidas em 2022, que renderam lucros importantes para os produtores nordestinos. Apesar de termos vivenciado chuvas atípicas, a região conseguiu maiores êxitos na colheita. “O ano passado foi um ano bem atípico na questão de clima, tanto aqui no Nordeste quanto nas regiões Sudeste e Sul, que são as maiores produtoras de cebola do país. Então, no ano passado, eles colheram bem, mas a colheita deles na questão do tempo de prateleira não foi tão longa quanto foi nos anos anteriores devido à questão climática. Com a umidade alta, começaram a aparecer alguns tipos de fungos, como o aspergillus, que os produtores chamam de carvão. Então, isso atrapalha a comercialização, vai diminuindo qualidade lá e, em outros lugares onde tem produção boa, com mais qualidade, vai tendo um preço bom.”

As previsões feitas pelos especialistas do Cepea, entrevistados pelo podcast na semana passada, apontavam que o aumento das áreas plantadas traria números positivos para a cebola este ano. Porém, os representantes da Nunhems alertam que isso só se concretizará se a média de chuvas não tiver a mesma intensidade do ano passado, devido aos danos fitossanitários trazidos pelos altos volumes de precipitações. “Por mais que você faça um tratamento bem feito, preventivo, vai ter algum problema”, reforçou Wênio.

Observando a distribuição de produtores no mapa brasileiro, nós temos a região Sul, com Santa Catarina. Rio Grande do Sul e Paraná; São Paulo, na região de Monte Alto; Minas Gerais e Goiás, com maior destaque na cebolicultura. Nessas áreas, também se concentram os grandes centros consumidores. “Se a gente [Nordeste] tem cebola e eles também têm no mesmo período, a gente vai sofrer pelo deslocamento porque eles já estão próximos aos grandes centros de abastecimento”, explicou Gleidson Silva.

Prova disso é o acréscimo do valor do frete incluso no preço, limitando a compra da cebola produzida na região Nordeste. “O Nordeste, às vezes, tem um volume que dá para abastecer a região. Se for um período de produção tranquilo, beleza, vai ficar numa média boa e o produtor consegue pagar as contas e ter o seu lucro assegurado. Mas, quando existe uma supersafra e a gente não consegue mandar a cebola para o Sul e o Sudeste, o Nordeste sozinho não come essa quantidade de cebola que a gente produz. Assim fica difícil, os preços vão lá para baixo porque a oferta foi maior do que a procura”, reforçou Wênio.

Época de plantio

Questionado se há um período mais propício para plantio e escoamento da produção nordestina, Wênio traz um alerta importante. “Antigamente, tinha, hoje não tem mais, porque há grandes regiões que plantam cebolas no país (Sudeste – São Paulo e Minas – e em uma região de Goiás) que estão antecipando os plantios. Eles têm materiais que se adaptaram muito bem à questão do período que eles chamam do ‘cedo’. Então, nesta época, pode haver um confronto com a nossa [cebola]. Por exemplo, agora, Goiás está plantando cebola. E, antigamente, o nosso período de plantar seria agora, no final de fevereiro, e aí começa em março, abril até maio o período de plantio forte de cebola no Nordeste. Mas, agora, a nossa região planta cebola o ano inteiro, temos variedades híbridas que podemos usar o ano inteiro”, relatou.

Diante disso, Gleidson relembrou que os fatores climáticos podem atrapalhar os planos do Sudeste e Centro-Oeste. “Eles estão antecipando o plantio do ‘cedo’ agora no verão, quando podem vir as chuvas torrenciais. É um risco que eles estão correndo, é um risco grande, mas estão plantando. Se não chover, eles colhem bem. Se chover, tem um problema.”

Por isso, Wênio destacou a importância do planejamento baseado na captação de informações. “O produtor tem que fazer um bom planejamento, tem que ser um bom empresário. A gente precisa deixar de ser amador, mesmo o pequeno produtor. Ele tem que estar numa roda onde tem vários produtores ali para se informar. Esse programa é muito importante por isso, porque leva informações importantíssimas para o produtor rural. Com isso, ele fará um planejamento através do que ele escuta e do que vê.”

Para isso, a definição dos custos de produção precisa inserir os programas de nutrição e fitossanidade. “É preciso saber qual é o custo dele, precisa saber que pode chover ou não, tem que saber que o ele já plantou precisa ser zelado. O custo de sementes é alto. Hoje, para plantar um hectare de cebola, é necessário investir de R$ 95 mil a R$ 100 mil. Ano passado, que foi atípico, o produtor conseguia 2 mil sacos por hectare. Então, se ele não vender bem, não conseguirá pagar as contas dele. Não consegue produzir nem ganhar dinheiro para plantar no próximo ano”, alertou Wênio.

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