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Pesquisa confirma resistência de psilídeos a piretroides e neonicotinoides.

Inseticidas à base dos ingredientes ativos bifentrina e imidacloprido já não estão sendo eficientes no controle do inseto transmissor do greening em algumas localidades e devem ser evitados temporariamente caso sejam observadas falhas de controle após seu uso.

Psilídeos coletados em pomares de quatro microrregiões do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo e Sudoeste Mineiros apresentaram redução da sua suscetibilidade aos inseticidas dos grupos químicos piretroide e neonicotinoide. A informação foi divulgada, na tarde do dia 1º de junho, pelo engenheiro agrônomo e pesquisador do Laboratório de Resistência de Artrópodes da Esalq/USP, Fernando Amaral, na palestra “Relevância da rotação de inseticidas no manejo do psilídeo dos citros para maximizar eficácia e minimizar resistência”, ministrada na 44ª Semana da Citricultura – 48ª Expocitros, no Centro de Citricultura Sylvio Moreira (IAC), em Cordeirópolis (SP).

Na palestra, Amaral disse que já foram identificados 123 casos de resistência do psilídeo no mundo para nove ingredientes ativos diferentes. Essa situação já foi observada em pomares da Flórida (EUA), México, China e Paquistão e, agora, é confirmada pela primeira vez no Brasil. Os estudos foram coordenados pelo professor titular do Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq/USP, Celso Omoto, com amostras das microrregiões de Novo Horizonte (Noroeste), Bebedouro (Norte), Santa Cruz do Rio Pardo (Sudoeste) e Limeira (Sul). “A redução na suscetibilidade deve-se, principalmente, à alta frequência do uso de inseticidas de um mesmo grupo químico sem a correta rotação”, explica Amaral.

O que fazer?

O combate ao greening é baseado estruturalmente no chamado tripé de manejo, que consiste no plantio de mudas sadias, eliminação de plantas doentes e controle do psilídeo. Para que o controle do psilídeo seja eficaz, é importante que não haja seleção de psilídeos resistentes, ou seja, indivíduos capazes de sobreviver às aplicações de determinado defensivo e passar essa característica para seus descendentes. Portanto, segundo o coordenador dos estudos, Celso Omoto, os piretroides e neonicotinoides, neste momento, assim que observadas falhas de controle, precisam sair temporariamente da lista de opções do citricultor para controlar o inseto.

“Em caráter emergencial e temporário, é imprescindível evitar o uso de inseticidas desses dois grupos químicos até que a suscetibilidade dos psilídeos a esses produtos seja restabelecida”, afirma Omoto. “Além disso, para impedir que os psilídeos venham a apresentar resistência a outros grupos químicos, é essencial que seja feita a rotação de inseticidas com, pelo menos, quatro grupos químicos diferentes, sem que ocorram aplicações sequenciais de inseticidas do mesmo grupo químico. Recomenda-se, ainda, utilizar inseticidas de grupos químicos pouco utilizados na citricultura. Essas ações devem ser realizadas por todos os produtores da região para serem mais efetivas”, completa.

Em regiões onde os produtores realizaram conjuntamente a rotação de inseticidas e evitaram o uso de produtos desses grupos químicos com resistência verificada, a população do psilídeo reduziu significativamente.

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