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Maior arma contra enfezamento do milho está na conscientização do produtor sobre manejo de área

A Bahia vivencia a expectativa recorde de produtividade para o milho nesta temporada. Ao todo, são 700 mil hectares da cultura, divididos em sequeiro – maior fatia da área – e irrigado.

Um clima favorável e produtores cada vez mais tecnificados garantem o bom resultado, que, de acordo com o último Boletim da Safra da Associação dos Agricultores e Irrigantes do estado (Aiba), promete ultrapassar as 180 sacas por hectare. Mas um inimigo de longa data ainda marca presença nos campos baianos e em outros estados do Brasil: a cigarrinha.

“A gente vai precisar realmente aprender a conviver com essa praga. Nós plantamos milho o ano inteiro e isso acaba criando uma ponte verde de alimentação, de reprodução”, explica o agrônomo especialista na cultura do milho, Paulo Roberto Garollo.

Segundo ele, a cigarrinha, que se reproduz exclusivamente no milho, atua como uma ponte para os verdadeiros agentes causais do complexo de enfezamento.

No Oeste baiano, diferente deste ciclo, muita gente já sofreu com os impactos da praga no passado.

“O problema em algumas fazendas, em 2016, já chegou a derrubar mais de 100 sacas por hectare de produtividade. Milho que tinha potencial para dar 200 sacas, como foi o meu caso”, conta o produtor Celito Breda.

De acordo com Garollo, regiões de alta pressão da praga são caracterizadas pela falta de uniformidade no manejo correto, o que proporciona o aparecimento de tigueras que são perigosas para a reprodução dos agentes causais.

Enfrentamento à praga

Em todas as fases da cultura do milho, os produtores defendem um monitoramento constante e utilização do controle químico aliado ao biológico, além de outras técnicas.

Mas a maior arma contra o enfezamento está na conscientização do produtor sobre o manejo da sua própria área.

“Acho que precisamos respeitar o período de plantio, não plantar milho o ano todo, se isso for possível. Chegar num acordo em cada microrregião; Nós temos também que olhar as nossas vizinhanças, as lavouras ao redor de onde vamos cultivar milho, para que a gente faça uma supressão da cigarrinha se ela tiver no vizinho. Depois, temos que fazer a escolha do material que seja tolerante ao enfezamento”, defende o produtor Celito Breda.

Já o especialista defende que o manejo da cigarrinha não pode ser pensado com base em uma só estratégia. Trata-se de um conjunto de boas práticas agronômicas que utilizam produtos químicos e biológicos.

“Produtos químicos são positivos desde o tratamento de sementes. A partir do tratamento de semente, o milho emergiu, começou a abrir a folha, eu tenho que fazer a primeira aplicação partindo do princípio de presença ou ausência da praga. Tem a presença da praga, eu entro fazendo a aplicação”, afirma. Diferente do registrado em alguns estados do Brasil, de acordo com o monitoramento da Aiba, na Bahia as lavouras de milho primeira safra seguem com bom desenvolvimento, sem registro de perdas significativas e com uma produção estimada em 2,3 milhões de toneladas, um crescimento de 8% em relação ao ciclo 2021/2022.

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