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‘Inaceitável’, diz Embrapa sobre invasão de MST em unidade

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram uma área pertencente à Embrapa Semiárido, em Petrolina (PE), na madrugada deste domingo (16).

No local invadido, funcionava o antigo Serviço Produtos e Mercados (SPM), que encerrou suas atividades de produção de sementes faz alguns anos. Em nota, o MST afirma que local foi ocupado por 600 famílias com o intuito de transformar essa terra devoluta em um projeto de assentamento da Reforma Agrária.

Em uma nota divulgada pela Embrapa Semiárido, nesta segunda-feira (17), a empresa diz que a invasão foi realizada em terras agricultáveis e de preservação da Caatinga. Confira um trecho:

“A Unidade foi anexada, administrativamente, à Embrapa Semiárido e tem sido utilizada para instalação de experimentos diversos e multiplicação de material genético básico de cultivares lançadas pela Empresa (sementes e mudas). A invasão atingiu ainda áreas de preservação da Caatinga, comprometendo a vida de animais ameaçados de extinção, além de pesquisas para conservação ambiental e de uso sustentável do Bioma. Nesta área também acontece o Semiárido Show, feira de grande relevância para os agricultores familiares do Semiárido, posto que as tecnologias que são apresentadas foram desenvolvidas para ambientes de convivência com a seca. O evento recebe mais de 20 mil pessoas e é uma referência em transferência de tecnologias para a região Nordeste. No momento, a área está sendo preparada para receber a 10ª edição da Feira, que acontecerá em agosto deste ano. A invasão já está prejudicando consideravelmente todo o planejamento e execução das atividades previstas.”

A Embrapa disse que a ação do MST é ‘inaceitável’, já que as terras são patrimônio do governo brasileiro, produtivas e destinadas ao uso exclusivo da Embrapa Semiárido para o desenvolvimento de pesquisas e geração de tecnologias voltadas à melhoria da qualidade de vida de populações rurais.

A Embrapa Semiárido afirma, ainda, que está adotando as medidas cabíveis para solucionar a situação. Neste momento, a invasão à área da Embrapa já está trazendo danos à condução de seus trabalhos e ao planejamento da execução de projetos e ações de pesquisa, que incluem parceiros com quem temos estabelecido avanços de cooperação que repercutirão em resultados de alto potencial de adoção junto aos produtores do Semiárido.

Por fim, a invasão traz prejuízos consideráveis a produtores e agricultores familiares da área de abrangência da atuação da nossa instituição, bem como para toda a sociedade.

Invasões do MST em Pernambuco

De acordo com o MST, neste fim de semana, o movimento atingiu o marco de oito invasões em Pernambuco.

Ao todo, em abril, 2.280 famílias no estado realizaram ocupações.

De acordo com o MST, as ocupações aconteceram no Engenho Cumbre, em Timbaúba, com cerca de 200 famílias; no Engenho Juliãozinho, também no município de Timbaúba, com 150 famílias; em Jaboatão dos Guararapes, 400 famílias ocuparam o Engenho Pinheiro; em Barra do Algodão, em Tacaimbó, 80 famílias ocuparam terras; em Santa Terezinha, Caruaru, outras 350 famílias ocuparam uma área; em Glória do Goitá, 200 famílias ocuparam a Fazenda Boa Esperança; no Engenho Barreirinha, na Usina Santa Tereza, em Goiânia, 300 famílias ocuparam uma área; além da área da Embrapa, em Petrolina.

Além da reforma agrária, o MST reivindica investimento para agricultura familiar e acesso a crédito para a produção de mais alimentos.

“Somente em Pernambuco, há 143 acampamentos do MST. É necessário tomar medidas urgentes em prol da reforma agrária, como recriar o Incra de Petrolina e nomeação da superintendência de imediato”, diz o comunicado.

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