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Chuvas afetam parreirais no Vale do São Francisco e cuidados fitossanitários precisam ser intensificados

As precipitações voltaram a preocupar os viticultores do Vale do São Francisco (PE/BA) nos últimos dias, já que o tempo firme foi novamente interrompido pelo aumento da umidade em áreas produtoras. Em algumas áreas, há relatos de precipitações que alcançaram o volume de 240 milímetros acumulado, o que traz um impacto importante na produção local. 

“O que a gente observou no campo é que, em algumas variedades mais sensíveis à chuva, tivemos perdas significativas, tanto de produção, ou seja, perdemos produtividade, ou de qualidade. Com isso, vamos ter algum impacto com relação ao volume exportado, como também na qualidade. Estamos ainda avaliando as perdas em nível de campo, mas já vimos que vamos comprometer, sim, as últimas colheitas. A expectativa nossa é que teremos colheita até o final de novembro. O grande problema é que uma uva com chuva começa a ter uma de prateleira menor e isso para uma uva que seria enviada à Europa, para os EUA, que fica 15 dias dentro do container, é muito tempo. Então, talvez tenha que desviar um pouco dessa fruta para o mercado interno, já que o consumo é mais rápido”, explicou o engenheiro agrônomo e consultor técnico especializado na produção de uvas, Augusto Prado. 

O cenário já apresenta, inclusive, consequências na cotação da uva no mercado interno. Entre os dias 07 e 11 de novembro, o preço da branca sem semente embalada recuou 4,10% em relação ao período anterior, à média de R$ 10,55/kg. 

Além de implicar na redução da qualidade das frutas que estão próximas do período de colheita, as chuvas ainda podem causar o abortamento de floradas e na maior incidência de doenças, como míldio – inclusive, alguns relatos de presença do fungo já foram vistos.

“Infelizmente, já começou a aparecer alguma coisa de míldio em algumas rebrotações, em ramos que não receberam pulverização. Então, a gente pede ao produtor para ter o máximo de atenção nesse momento e ter um controle cultural muito importante, que é evitar a sobrecamada. Principalmente neste período de chuvas, você vai trabalhar com uma camada e meia de folhas para que se consiga pulverizar bem aquela área. Lembrando que produto sozinho não faz milagre, eu tenho que ter uma contribuição e tratos culturais de arejamento da área para que eu consiga ter uma boa sanidade da minha área”, alertou. 

As podridões do fruto também precisam ser tratadas com afinco. “A gente observou que as uvas que estavam descobertas começaram a ter uma incidência maior de podridões. Ela começa a rachar e, com o alto índice de açúcar da fruta, começam a aparecer alguns fungos de podridão. Então, para isso, a gente orienta a realização de um trabalho preventivo de limpeza da área, que deve estar sempre limpa, sempre tirando as bagas estragadas e levando para fora do parreiral e a aplicação de alguns sanitizantes para limpeza, uso de enxofre, de cobre, porque ajudam muito na questão da limpeza. Existem cobres líquidos, hoje, que são uma tecnologia que deixa a fruta muito limpa e não tem problema de manchar, os enxofres líquidos e cobres de alta performance também me garantem uma limpeza da área para a questão de podridões. E vamos trabalhar também com algumas tecnologias de bactérias benéficas que estamos usando no final de ciclo para garantir uma fruta de boa pós-colheita”, aconselhou Prado. 

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